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voltarMulheres no mercado imobiliário: oportunidade, escolha e liderança
Quando olhamos para muitas mesas de decisão no mercado imobiliário, uma coisa ainda chama a atenção: elas são majoritariamente masculinas
Quando olhamos para muitas mesas de decisão no mercado imobiliário, uma coisa ainda chama a atenção: elas são majoritariamente masculinas. Basta observar diretorias, conselhos e lideranças de grandes empresas do setor.
E a pergunta que costuma surgir de forma quase automática é: por que isso acontece?
Depois de 25 anos trabalhando no mercado imobiliário, minha impressão é que a resposta pode ser mais complexa do que parece.
Entrei no setor em 2000, muito jovem, ainda sem saber exatamente qual carreira queria seguir. Fui apresentada a esse universo pelos meus pais e tive o privilégio de acompanhar de perto a construção de uma empresa, aprendendo na prática o funcionamento de um mercado tão desafiador quanto fascinante.
Ao longo dessa trajetória, participei de inúmeras negociações, projetos e decisões estratégicas. Nesse percurso, ficou evidente que o mercado imobiliário é, historicamente, um ambiente masculino, especialmente nas posições de liderança.
Mas também aprendi algo importante nesse caminho: o espaço pode ser construído.
Ter alguém que abre portas ou oferece uma primeira oportunidade pode acelerar a jornada. Isso acontece em qualquer profissão. E as portas permanecem abertas se houver preparo para ocupar aquele lugar.
Autoridade não se herda, se constrói. Ela nasce do conhecimento, da consistência e da capacidade de tomar decisões.
Outro aprendizado fundamental ao longo desses anos foi entender o valor das conexões.
Nenhuma carreira se constrói isoladamente. Participar das conversas do mercado, construir relações de confiança e ampliar continuamente a rede de contatos é parte essencial de qualquer trajetória profissional – e pode ser ainda mais importante para nós, mulheres.
Hoje, vejo com satisfação um número cada vez maior de mulheres presentes no mercado imobiliário. Vejo corretoras, gestoras, empreendedoras e líderes construindo trajetórias sólidas dentro do setor.
Ainda assim, quando observamos muitas mesas de decisão, a presença masculina continua predominante.
E isso me leva a uma reflexão que considero importante: será que o mercado imobiliário ainda apresenta poucas oportunidades para as mulheres? Será que estamos diante de escolhas individuais de vida?
As mulheres acumulam múltiplos papéis. Somos profissionais, mães, parceiras e, muitas vezes, responsáveis por grande parte da organização da vida familiar.
Conciliar essas dimensões exige energia, presença e decisões constantes. E talvez seja justamente aí que esteja um dos pontos centrais dessa discussão: escolhas.
Nem toda mulher deseja ocupar uma cadeira executiva, liderar uma empresa ou participar de conselhos de administração. E está tudo bem. Existem trajetórias extremamente bem-sucedidas em diferentes funções dentro do mercado imobiliário.
Mas existe um aspecto desse setor que merece ser destacado, especialmente para aquelas que ainda não enxergaram nele uma possibilidade de carreira. O mercado imobiliário é uma das atividades mais democráticas de geração de renda que existem.
Ele abre espaço para mulheres de diferentes idades, formações e histórias. Não exige um caminho acadêmico específico nem grandes estruturas iniciais. Exige, acima de tudo, iniciativa, relacionamento, comunicação e disposição para aprender.
E há algo curioso nesse mercado. Especialmente no segmento residencial. Muitas mulheres têm uma capacidade extraordinária de perceber detalhes que fazem diferença para quem está escolhendo um imóvel para morar. Conseguem imaginar o uso dos espaços, pensar na decoração, entender as necessidades da família e se conectar com quem está tomando a decisão, o que, em muitas famílias, é a mulher. Talvez por isso não seja raro vermos mulheres performando de forma excepcional na corretagem imobiliária.
Outro ponto importante é a flexibilidade que essa atividade oferece. O mercado imobiliário permite algo que poucas profissões conseguem combinar ao mesmo tempo: autonomia de agenda, potencial de crescimento e ganhos que não têm um limite prédefinido.
Isso permite que muitas mulheres consigam equilibrar trabalho, família, desenvolvimento profissional e vida pessoal.
E há ainda um aspecto interessante dessa profissão: muitos negócios imobiliários nascem justamente nas conversas do cotidiano. Em um encontro casual, em uma roda de amigos, no clube, em um café... O mercado imobiliário acontece onde as relações acontecem.
Para as mulheres que desejam construir uma trajetória nesse setor, o caminho está aberto (e seguimos ampliando esse espaço). Ele exige preparo, coragem, presença e disposição para aprender continuamente.
Talvez a pergunta mais importante neste mês da mulher seja simples: que espaço cada mulher deseja ocupar dentro do mercado imobiliário?